Li, Assisti: Um devaneio importante sobre o novo livro de Crepúsculo

Muitas séries não envelhecem bem. Fazia sentido e era socialmente aceitável Seth Cohen ter duas namoradas em The O.C. Era considerado normal o ciúme doentio de Ross por Rachel, em Friends. E era normal o retrato da dependência emocional de Bella em Crepúsculo. Quando foi anunciado que O Sol da Meia Noite finalmente seria lançado, dez anos depois eu comemorei. Fui muito envolvida com a história dos moradores de Forks e fiquei genuinamente feliz com o material novo. A obra será um spin-off da saga, sendo que é a mesma história, mas sob a perspectiva de Edward Cullen. Ficar animada foi a primeira reação, a de fã alucinada.

 Depois o meu lado pesquisadora e feminista entrou em ação e me perguntei como esse livro seria aceito. Não é uma atualização do enredo, é apenas o lado de Edward dos exatos acontecimentos de Crepúsculo. Toda a problemática irá permanecer, não tem jeito de renovar uma narração que já foi feita. A mudança de ponto de vista ainda manterá as partes problemáticas da história. Bella ainda será impotente, com uma baixa auto estima e um lado autodestrutivo. Edward ainda será machista, invasivo, stalker até, por olhar Bella dormindo noite após noite sem a sua permissão e a necessidade obsessiva de protegê-la.

 

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Olhando em retrocesso, vejo muitos paralelos com Joe, do seriado Você. A diferença é que Joe não é romantizado, ele é um sociopata e tratado dessa forma pelo roteiro. Ainda assim, vimos muita comoção na internet de romantização da personalidade dele. Se esse personagem, retratado de uma forma crua confundiu a mente das pessoas, imagina um vampiro possessivo rico que tem todos os traços de romantização possível.

Sei que pode parecer que eu não estou fazendo muito sentido, até porque não deixarei de ler o livro. Inclusive, comprei o meu exemplar logo na pré-venda e estou esperando ansiosamente. Mas, vou consumi-lo com a consciência de que não é um relacionamento ideal, nem personalidades a serem espelhadas. Penso nas gerações mais jovens e como isso pode afetar a forma que eles enxergam romance, e como o amor pode ser visto como algo altamente possessivo. Meyer até tentou nos convencer com uma edição especial com trocas de gênero, foi uma forma de apontar que a história funcionaria se não fosse a mulher a frágil, no local de se auto questionar. Na minha opinião não fez muito efeito. Bella ainda é uma mocinha incapaz e precisamos urgentemente discutir mais sobre isso

 

Li, assisti: Delírios da Madrugada Sobre a Adaptação de Sandman

As vezes me perguntam por que dentre todas as histórias que já li escolhi Sandman para tatuar, para amar de uma forma especial. Tem uma coisa sobre histórias, não apenas a qualidade técnica delas, sempre falo isso, mas como ela nos fazem sentir, como nos afeta. Sandman me mexia e remexia tão profundamente, não só pelos temas e choques dos arcos, Casa de Boneca em especial, mas pelo universo que me envolvia de uma forma, eu não conseguia me puxar para fora do Sonhar. Tomava meu dia-a-dia e, ironicamente, tomava meus sonhos. Tive que criar um regra de não ler Sandman antes de dormir, podia sentir Morfeu me rondando.

Mais ironicamente ainda, alguns anos depois, dei ao meu gato o nome de Morfeu e agora ele fica literalmente me rondando à noite, guardando meu sono. Sinto que nunca saí 100% do Sonhar. Uma parte de mim ficou presa pra sempre, uma parte que sempre reflete sobre aquelas histórias, aquelas personalidades, a humanidade de seres perpétuos, e o visceral do ser humano. O sumiço de Destruição, a semelhança entre Desejo e Desespero, a transformação de Deleite em Delírio, a cegueira de Destino, a tranquilidade de Desencarnação e sobretudo Devaneio, que também é chamado de Sonho e Morfeu.

Fonte: Detalhe da HQ – Reprodução

Amo todos os perpétuos e gosto de pensar que consigo entender todos eles. Mas tenho um apreço especial por Sonho, afinal de contas sou uma sonhadora como ele. Ele só quer ser amado, e mesmo com uma longa trajetória não consegue lidar muito bem com rejeição. Acho que meus momentos preferidos da história são quando o Sonhar reflete o seu humor, quando chove porque ele está triste. Tenho vontade de mergulhar ali e dar um abraço nele, confessar que o amo e que o Sonhar não precisa chorar mais.

Sempre tento ser muito otimista em relação às adaptações, como toda leitora gosto de ver o livro na tela, gosto de analisar, de criticar então, adoro! Mas tenho ressalvas com a adaptação de Sandman, mesmo acontecendo em uma das melhores situações possíveis (pela Netflix e com a mão de Gaiman) não sei se a atmosfera dos perpétuos conseguirá ser mantida, se o trágico desses seres imortais será retratado. Fico me perguntando: será que as pessoas vão entender o simplismo de Morte? E ao mesmo tempo fico implorando para que não diminuam a história ou deixem os personagens rasos. Do que eu já li, sempre imaginei Sandman como o mais difícil de se adaptar. Pedia internamente para que adaptassem, exatamente na mesma quantidade que rezava para que não fosse adaptado. Mas vai acontecer e espero amar e me envolver com os minutos na tela da mesma forma que com as páginas coloridas.

 

*Krystal Baqueiro é pesquisadora, mestranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas, pela Universidade Federal da Bahia e consumidora intensa de literatura – ainda mais se for a seriada!

Li, assisti: A grande conquista da nova adaptação de Percy Jackson

Eu, diferente de muitas crianças/adolescentes da minha geração não comecei a ler com Harry Potter! Meu vício de leitura veio com Crepúsculo, fiquei encantada por aquele romance, envolvida pela leve tragédia daquilo tudo. Fui a uma feira de livros, na stand da editora da saga (nem sonhava em saber o que era Intrínseca na época), por falta de livros novos de Stephanie Meyer, escolhi comprar O Ladrão de Raios.

Lembro de chegar em casa e abrir o livro despretensiosamente, era umas 21h. Não consegui parar de ler, foi a primeira vez que virei a noite lendo um livro. A sensação permanece comigo até hoje, de curiosidade sobre o que ia acontecer e um leve medo dos monstros, principalmente do minotauro. Não consegui acordar pra ir pra escola no dia seguinte, levei bronca mas valeu tanto a pena.

 

percy vs ares | Heróis do olimpo, Livros de percy jackson, Percy ...

Ilustração de John Rocco

 

Alguns meses depois, fui passear na livraria e para a minha surpresa tinha sido lançado um segundo volume de Percy Jackson: O Mar de Monstros. Naquela época, não tinha essa fonte de informação que tenho agora, do que será lançado, o que é série e o que não é. Me lembro do deleite e do pânico ao explicar pra minha mãe como aquele livro era importante pra mim e o porquê deu precisar dele naquele instante. Sei que ela compraria de qualquer jeito, mas como adolescente não gostava de perder a oportunidade de ser dramática. Olhando pra esse momento com o conhecimento que tenho agora, de formatos e narrativas, aquela foi minha primeira experiência com uma narrativa seriada literária. Me tornei uma leitora ávida com Percy Jackson, o que influenciou a minha vida toda, o que sou e com o que trabalho hoje.
Esse longo discurso veio para justificar a grande decepção que foi ir no cinema e assistir a adaptação do Ladrão de Raios. Pra voltar o meu caráter dramático, acho que foi a pior adaptação que eu já vi (empatando talvez com O Último Dobrador do Ar). A atmosfera estava errada, o roteiro não respeitava nada, e um dos personagens mais queridos da série Annabeth Chase, a filha de Atena, era arrogante e briguenta, quase uma filha de Ares (cito aqui meu amigo Iago). Sem falar a idade inapropriada do elenco. Minha decepção foi tanta que nem assisti o segundo. Minha alma de fã foi minimamente restaurada quando tio Rick (apelido carinhoso que os fãs usam para o autor Rick Riordan) expressou o quanto tinha odiado a adaptação, e o quanto se sentiu impotente de ver seus personagens sendo adaptados daquela forma.

 

Percy Jackson e o Ladrão de Raios | Edição ilustrada tem novas imagens divulgadas
Ilustração de John Rocco

Depois de muita espera, muita antecipação, esse mês foi divulgado uma nova adaptação do Ladrão de Raios, com total envolvimento do autor. E para mim foi um bálsamo na minha alma, minha adolescente, leitora inexperiente aflorou e pulou de puro êxtase. Tenho plena fé nessa adaptação, não só pelo carinho de tio Rick com a história, mas os fãs já sofreram demais e duvido que queiram que a gente sofra mais. Estarei preparando comidas azuis e contando os dias pacientemente!

 

*Krystal Baqueiro é pesquisadora, mestranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas, pela Universidade Federal da Bahia e consumidora intensa de literatura – ainda mais se for a seriada!

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