Terror Em Série – Não pisque! Maratona de Terror Doctor Who!

 

A nova geração de uma das séries britânicas mais bem sucedidas na história televisiva, Doctor Who, trouxe uma nova leva de fãs, ou melhor, Whovians. Apaixonados pelo universo do viajante do tempo de Gallifrey, Whovian que é Whovian sempre quer aumentar o clã e apresentar a pluralidade temática, visual e narrativa do seriado.

Há uma quantidade expressiva de listas que indicam possíveis ordens para assistir Doctor Who ou por onde começar somente. Aqui, na nossa coluna, aproveitando que temos leitores que curtem terror, traremos uma lista com os episódios mais assustadores, protagonizados do nono doutor em diante. Sim, além de ser uma obra de ficção científica, ela também perpassa por outros gêneros e saiba que muitos dos melhores episódios são, justamente, os de terror.

Para não dar juízo de valor ou criar uma ordem que impõe um tom de hierarquia qualitativa, resolvi colocar os episódios por suas temporadas! Ah! E, tentei não colocar spoilers, mas, sempre sabemos que o conceito de spoiler termina sendo um pouco subjetivo para alguns. Então, atenção!

Preparados?

 

1 – THE EMPTY CHILD (01×09 – Doctor: Christopher Eccleston/ Companion: Rose):

 

 

Em meio a Segunda Guerra Mundial, o Doutor e sua companheira Rose (Billie Piper) estão em busca de um cilindro, mas, acabam encontrando criancinhas estranhas que usam máscara de gás. Essas criaturinhas ,que aparentam não ter personalidade ou até mesmo consciência, perguntam repetidas vezes para todos que encontram: “você é a minha mamãe?”

Além de perseguirem as pessoas com a suas vozes maquinais e assustadoras, todos previnem o Doutor para que ele não deixe que as menininhas e menininhos toquem nele. O episódio consegue estabelecer uma atmosfera de suspense, fazendo com que esses serzinhos assustadores surjam das sombras, dos lugares inesperados e também há uma progressão de urgência, a quantidade de crianças aumenta e o sentimento de repulsa e medo das mesmas se torna inevitável. Após a resolução do conflito, assumo que você pode se sentir culpado de querer jogá-las para o mais longe possível.

Acrescentando-se ao fato de ser bem realizado, existe um outro ponto positivo para conhecer a série a partir de Empty Child. É nele que conhecemos o capitão Jack Harkness (John Borrowman), ao lado de Rose e do Doutor, ele traz os momentos de alívio cômico, deixando o trio mais simpático e divertido.

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=UxkaHcI7r18

 

2-  THE SATIN PIT (02X09 – Doctor: David Tennat/ Companion: Rose):

 

Continuação do episódio The Impossible Planet, Satin Pit mostra os encaminhamentos do mistério que assola uma nave. Talvez numa das tramas mais macabras já realizadas na série, vemos uma tripulação que está sendo possuída por uma entidade ou ser desconhecido denominado de A Besta. A trama traz uma representação demoníaca interessante, assumindo os poderes sobrenaturais do ser mostrado, mas, dando uma conotação quase científica para a figura do Santanás.

O que mais aterroriza na trana é que é possível ter a sensação de aprisionamento, já que o Doutor e sua companheira Rose estão sem seu dispositivo de viagem no tempo, a TARDIS. Logo, eles estão presos numa situação misteriosa, lutando, primeiramente, contra um ser ainda amorfo. Apesar de um acertado confronto final trazer questionamentos filosóficos e uma batalha discursiva entre o Doutor e o demônio, a visualização em forma de monstro, que conecta-se com a figura do imaginário coletivo, faz com que seja mais fácil lidar com o que dava mais medo na construção da ambientação de todo episódio: o inimigo não palpável, que não se sabe de onde vem.

Contudo, não deixa de valer a pena conferir, as certezas do Doutor, as tentativas de explicação práticas, caem por terra, mostrando um lado vulnerável do viajante temporal!

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=Fr5cqfQJsbo

 

3-  BLINK (03×10 – Doctor: David Tennat/ Companion: Martha):

 

Um dos episódios mais aclamados de Doctor Who, Don’t Blink é uma unanimidade entre os fãs. Na trama onde só vemos os protagonistas quase que somente por fitas gravadas, temos Sally Sparrow, interpretada por Carey Mulligan, como personagem central da história.

O Doutor, preso em 1969, precisa impedir que os Weeping Angels tomem controle da TARDIS que está no mesmo ano que Sally, em 2007. O que mais assustas nessas criaturas, que são estátuas de anjos, é a maneira como agem rápido e, é claro, o fato que elas se movem toda vez que você pisca os olhos, se você não tomar cuidado, elas de transportam para outra época, sem ter como voltar para o período em que vive.

Como já ressaltei nos episódios citados acima, a série sabe trabalhar com o jogo entre horror/pavor e urgência, há uma maestria em cercar os envolvidos na trama, sem deixar muito espaço para esperança. Estou destacando esse fator porque em muitos episódios há uma atmosfera de segurança, sabemos que tudo vai ficar bem, que todos se salvarão. Mas, uma coisa que não existe quando falamos sobre esses seres alados de pedra é segurança.

Quanto mais os Wheeping Angels aparecem maiores são os danos causados por eles, pelo menos é a impressão que fica. Mais adiante, muitas outras histórias acontecem tendo-os como vilões e uma boa mitologia é criada. E deve-se admitir que estátuas pensantes que te transportam para outra época é algo muito assustador. O layout delas, por assim dizer, também não é visualmente agradável, mas há aqueles com coragem para comprar toy art dos Angels, coragem demais.

Eu posso apostar que depois de assistir Blink, você vai ver estátuas de uma outra forma. Eu, pelo menos, sempre confiro para ver se elas estão no mesmo lugar.

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=o8ls2oHq8Bw

 

4 – SILENCE IN THE LIBRARY (04×08 – Doctor: David Tennat Companion: Donna):

 

No episódio onde somos apresentados à River Song, uma personagem que se mostrará espetacular e cheia de mistérios particulares que vão se desenvolver por muitas outras temporadas, temos tudo que há de mais especial neste seriado: uma ameaça invisível, predadora e que devasta tudo que há pela frente. Pode ser até um aparente gosto particular, mas, quando o Doutor não consegue explicar ou se ver vulnerável de fato em frente à um perigo, as coisas se tornam mais instigantes.

Dentro de uma biblioteca do tamanho de um planeta, vemos um clima de perigo eminente, onde o jogo de luz e sombras se torna fundamental para reforçar a ambientação terrorífica da história. Vashta Nerada é implacável, tira sua carne até os ossos instantaneamente e pode estar em qualquer lugar e entrar até nos trajes espaciais usados pela comitiva de River.

É interessante ver a paciência para construir a ideia de pânico entre as personagens e a calma de inicial de Song nos deixa mais próximos de um ponto de vista do Doutor que ainda não a conhece, mas, ela afirma que sabe muito sobre ele e tem um diário em forma de TARDIS. O suspense do episódio aumenta por estarmos todos desconfiados, assim como a personagem de Tennat. Eu poderia falar mais sobre a relação dos dois, mas, seria spoiler!

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=htLVk1eFQVE

 

5- THE VAMPIRES OF VENICE (05×06 – Doctor: Matt Smith/ Companions: Amy Pond e Roy Williams):

 

 

Após a saída de Russell T. Jones como produtor executivo e de Tennat como o Doutor, vemos uma outra atmosfera que se instala com a entrada de Steven Moffat e Matt Smith. Certa prioridade em tramas interplanetárias e mais voltadas à ficção científica, dão lugar para uma mitologia mais cunhada no fantástico, principalmente, durante a era do décimo primeiro viajante no tempo.

Neste episódio – que trabalha bem a tríade Doutor, Amy e Roy e suas relações – vemos um clima que remete ao Drácula, de Fracis Ford Coppola, um pouco menos sombrio, de certa maneira. Como diz em seu título, a história se passa em Veneza, na época da Peste e tem em suas locações, direção de arte e figurino o verdadeiro potencial de nos levar junto nessa viagem temporal.

Em The Vampires of Venice há algo que, sempre que se repete no seriado, deve-se dar valor, eles conseguem explicar figuras do imaginário fantástico quase sempre como criaturas alienígenas que têm algum desejo de tomar, possuir e/ou destruir o planeta Terra. Ainda que na verossimilhança externa, ou seja, em nossa realidade, pareça ainda fantástico, no universo de Doctor Who termina sendo uma explicação científica, de compreensão lógica para nosso detetive interplanetário.

Smith também traz um frescor jovial ao personagem que agora tem mais facilidade de escalar prédio e lutar de maneira mais incisiva, deixando esse episódio um dos mais divertidos de sua temporada.

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=doATg3A74-s

 

6 – NIGHT OF TERROS (06×09 – Doctor: Matt Smith/ Companions: Amy Pond e Roy Williams):

 

Os primeiros medos, que atormentam todos nós durante a infância, são explorados nesse episódio que sai um pouco da curva e traz respiro para a sexta temporada de Doctor Who. Num ritmo menos apressado, desenvolvendo sua trama com paciência e, pode-se dizer que, até certo sadismo, Night of Terrors mostra o trio ajudando um garoto de oito anos que tem medo de quase tudo. Enquanto o Doctor tenta ajuda-lo, Amy e Roy ficam presos rodeados de bonecos nada fofos.

Nessa história é o não acontecer, os silêncios que permeiam os ambientes que reforçam o absoluto terror da situação vivida pelos protagonistas. Como crianças que todos nós fomos um dia, eles ficam, de certa forma, receosos, tateando no escuro, esperando os fantasmas saírem das sombras, dos armários, debaixo da cama. A empatia de quem já teve algum medo parecido pode ser imediata e a lentidão do desenvolvimento do arco colabora para a sensação de pânico empático, vamos assim dizer.

Claro que, por ter esse ritmo específico, pode não agradar aqueles que preferem episódios mais voltados para aventuras, como o anterior, por exemplo. O que acredito é que, por já ser um produto consolidado, o seriado tem o privilégio de explorar gêneros e maneiras novas de abordar o cotidiano do Doutor e de seus companheiros. Para quem é mais paciente e não fica no furor de maratonar ou acabar tudo de uma vez só, resta saborear essa história que joga com o subconsciente do espectador e com aquele desejo que desperta já quando somos adultos e ouvimos algum barulho misterioso: “não deve ser nada”, repetimos e aqui a gente tem plena convicção de que sim, há algum ser ou seres muito (s) macabro (s).

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=tXAsB5zn6TI

 

7 – HIDE (07×09 –  Doctor: Matt Smith/ Companion: Clara Oswald)

 

 

O que estava faltando nessa lista, dentro do imaginário das histórias de terror, aparece neste episódio: fantasmas. Apesar de poder despertar um certo estranhamento, por trazer um estilo visual um pouco diferente do que o costumeiro, o diretor Jaime Payne consegue criar um microuniverso visual com seu olhar criativo.

Há uma decupagem, certamente, muito característica do horror, que presa por cortes rápidos e planos médios de aparentes vultos que passam atrás dos mocinhos, mas, há também uma liberdade de movimentação de câmera e escolha de enquadramentos que traz deste episódio em diante uma busca por esse olhar de diretor. Depois de Hide, nota-se uma interferência de tentar sair do lugar comum para traduzir em imagens os sentimentos das personagens.

Claro que, desde a entrada de Moffat, houve um cuidado de arte e direção, não direi maiores, mas, mostrando uma particularidade de cada episódio, trazendo estéticas menos genéricas e marcando a singularidade de cada trama.

Este é um episódio que até o Doctor assume que está com medo, da empolgação como se estivesse num filme de Ghost Busters até o verdadeiro pavor e incerteza, passeamos por uma mansão repleta de cenários especialmente aterrorizantes. Há na narrativa uma proximidade com o lugar comum, com já conhecidas histórias de mistério, mas aqui, vê-se a utilização da mesma com plena consciência de que há uma mistura entre pastiche e homenagem para, no fim dos acontecimentos, tentar fugir do desenlace esperado.

Hide é tão cool e pode fazer o espectador imergir tanto na trama que talvez haja a chance de esquecer que nele há a sem graça Clara Oswald.

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=0C8io51oTAo

 

8 – LISTEN (08×04 – Doctor: Peter Capaldi/ Companion: Clara Oswald):

 

Ok…esse episódio também tem fantasma e também tem a Clara Oswald. Talvez, para ter um punch a mais, realmente, só com seres etéreos e, claro, a combinação Capaldi+Oswald já é melhor do que Smith+Oswald.

De qualquer maneira, vamos lá. As temporadas estreladas pelo décimo segundo doutor têm um teor muito mais próximo às criaturas alienígenas ou histórias de naves, mais ligadas à ficção científica clássica. Aos poucos, isso vai mudando até o fim do seu ciclo, contudo, no geral, é bem por aí. Por isso, Listen se destaca dentre as tramas capaldianas e desperta na memória aquela sensação de perigo e urgência vista somente no tempo onde Tennat era estrela ou, no máximo, quando os Wheeping Angels apareciam.

Novamente jogando com os medos da infância, a história nos faz questionar: e se nunca tivermos estado sós no mundo? E se esses seres estivessem nos acompanhando e ficassem embaixo da cama aguardando pela oportunidade de puxar nossos pés de noite. O destaque de episódio vai para a construção narrativa e o despertar do medo através daquilo que não vemos ou que vemos em pedaços, em fragmentos que traduzem pesadelos, que remetem aos sonhos mais sombrios cravados no imaginário coletivo. “Não olhe”, diz o Doctor e tudo o que queremos é olhar, numa mistura de pânico e curiosidade, na sensação que essa história pode nos levar para um abismo, ainda que subconsciente.

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=6MEHSCBYaHQ

 

9 – UNDER THE LAKE (09×03 – Doctor: Peter Capaldi/ Companion: Clara Oswald):

 

Terminando a trilogia fantasma feat. Clara Oswald, temos agora seres etéreos verdadeiramente assassinos. Com um visual mais humanizado, talvez até mais palpável, a ameaça vem de uma tripulação em perigo onde suas mortes alimentam cada vez mais o exército de mortos.

O mais interessante desta trama é a maneira como a compulsão por gerar novos fantasmas é explicada, mais uma vez trazendo um teor científico ao inexplorado. Quanto mais mortos, maior o sinal das coordenadas que estão sendo enviadas para uma igreja na cidade submersa. Outro destaque é o retorno dos Tivolians, criaturas que foram anteriormente mostradas na era do décimo primeiro doutor, no episódio Complexo de Deus.

Apesar de não trazer muitas novidades para o arco da temporada, vale como uma das aventuras despretensiosas do Doutor, desmembrando-se no episódio seguinte, Before the Flood. Para um Whovian, ainda há sempre o prazer de conhecer mais um pouco sobre os outros seres intergalácticos que habitam a enciclopédia de espécies do viajante no tempo.

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5msVQwu-xgk

 

10 – KNOCK KNOCK (10×04 – Doctor: Peter Capaldi/ Companion: Bil Potts e Nardole):

 

Voltando às aventuras mais emocionantes e que despertam aquele típico desespero de quem assiste Doctor Who, temos mais um elemento clássico de gênero: a casa que tem vida própria. Vejam bem, diferente de mansões mal-assombradas, onde há fantasmas e afins, aqui temos um local que é perigoso em si, onde as portas, paredes, tudo ao redor pode ser fonte de ataque.

O episódio lembra um pouco Playtest, de Black Mirror, principalmente pela direção de arte e paleta de cores da fotografia. As escolhas visuais estão atreladas aos elementos que irão provocar o terror, apresentando uma estrutura coesa que amarra a trama para dentro. Apesar de ser um lugar grande e supostamente espaçoso, seus corredores são, além de estreitos, povoados de móveis e prateleiras com livros, deixando o ambiente sufocante e repressor.

As paredes de madeira, que parecem que se partirão a qualquer momento, tem continuidade de cor com o chão, tudo no mesmo tom de marrom, formando quase que um quadrado sem saída, deixando pouco respiro. A luz corrobora com este possível sentimento, puxada para o âmbar, tendo como fontes abajures, tornando os lugares com uma aparência de pouca iluminação, trazendo uma imersão das personagens dentro do cenário, o que casa muito bem com a proposta da trama. É aquela casa onde as crianças criam histórias aterrorizantes e que dá a impressão de quem entra não sai mais dali. Muito se esconde entre luz e sombra nesse episódio que é exitoso em provocar repulsa ao mesmo tempo que certa ansiedade de ver o mistério sendo desvendado, a clássica, história de agonia.

 

Trailer:  https://www.youtube.com/watch?v=5y-h6_HLyec

 

11-  KERBLAM (11×07 – Doctor: Jodie Whittaker/ Companions: Yasmin, Graham e Ryan):

 

Há muito a ser explorado no que se diz respeito ao medo quando falamos em seres inanimados com vida. Diferente dos Daleks ou Cybermans, os TeamMeats tem um aspecto que deveria ser amigável, contudo, é esse sorriso feliz e robótico que os deixa ainda mais assustadores.

Neste episódio, vemos um crescimento da temporada que é bastante irregular, tirando “Rosa”, até então, vê-se uma falta de rumo e uma quantidade de conflitos, tanto de vilões quanto dos companions que não é possível dar conta em um pouco mais de quarenta minutos, deixando tudo um pouco desinteressante. Por isso, Kerblam traz certo frescor, voltando a se focar em um conflito somente e que pode envolver o público nessa história que une bem terror, ficção científica e narrativa de detetive.

Como o TeamMeats são iluminados, os ambientes escuros ressaltam suas presenças, dando um ar de demoníaco aos bonecos robôs. A trilha de caixinha surpresa também reforça a doçura simpática aterrorizante que parece ter certo poder onipresente. Apesar da premissa meio Skynet aparentar não ser muito inovadora, é na simplicidade narrativa que esse episódio se faz, retornando à trama de uma só locação, do perigo que se mostra como impossível de lutar contra, um clássico Whoviano.

 

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=5hQl17qHHuw

 

 

 

 

 

 

 

 

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