Inglês pelo mundo das séries: 8 cidades, 8 sotaques em Sense 8

Umas das perguntas que mais ouço como professora de inglês é: “Você tem sotaque americano ou britânico?”, ao que respondo sem titubear: “Meu sotaque é brasileiro. Mais especificamente baiano, de Salvador”. Claro que do lado de cá dos trópicos a influência americana na cultura que consumimos faz com que meu inglês tenda a soar como o inglês americano a maior parte das vezes, mas com exceção do título da série Sex in the city, não tem quem me faça pronunciar “ciRí” com sotaque americano; aprendi com Ms.Marcela (uma das minhas professoras- inglesa) a falar “ciTí” e assim é até hoje a minha fala.

Das oito cidades onde foram gravadas a série Sense 8,  duas são estadunidenses: aproximadamente 4000km de distância separaram a personagem Nomi (São Francisco) de Will (Chicago), lonjura suficiente para encontrarmos variações linguísticas. Cidade do México (México), Reykyavík (Islândia), Berlim (Alemanha), Mumbai (Índia), Nairobi (Quênia) e Seoul (Coréia do Sul) completam o cenário dos personagens principais. Diferente de mim quando exercia a função de comissária de voo, e diferente da equipe de filmagem da série, que precisava encarar horas de voo entre um país e outro, nesta produção escrita por Lana e Lilly Wachowski e J. Michael Straczynski, ao longo de 2 temporadas, os Sense 8’s (sensitivos) conseguem se transportar de um lugar para o outro pelo que a personagem Riley numa conversa com Nyx, descobre logo no primeiro episódio.

 

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Veja:

“-Limbic resonance. It’s a language older than our species.(…). It’s a simple molecule present in all living things. Scientists talk about it being part of an eco-biological synaptic network. When people take it, they see their birth, their death, worlds beyond this one. They talk of truth, connection, transcendence.”

[Ressonância límbica. É um idioma mais antigo que nossa espécie (…). É uma molécula presente em todos os seres vivos. Cientistas dizem ser parte de uma rede sináptica ecobiológica. Quando as pessoas têm acesso a essa rede, elas vêem seu nascimento, sua morte, mundos além deste aqui. Eles falam sobre verdade, conexão, transcendência].

Se você está aprendendo a língua inglesa, já assistiu Sense 8 , e não prestou atenção a esse diálogo, (sorry, mas preciso dizer que) você assistiu errado. Sugiro que reveja esse trecho: e não estou falando do conteúdo da conversa! Feche os olhos, ouça o ritmo das palavras, (sobretudo dos personagens que estão por perto de Riley). Se puder, coloque a legenda em inglês e  preste atenção nas palavras onde aparecem palavras com “R”. Na cena que vem logo em seguida, surge a personagem Kala, em Mumbai (Índia), e mesmo para quem está começando agora os estudos da língua inglesa, é possível perceber que o inglês dela é bem diferente do inglês falado na cena anterior; se for preciso, volte algumas vezes, sugiro que acompanhe essa transição de uma cena pra outra…

 

 

Algo que eu não havia dito ainda: o inglês pode variar de sotaque entre pessoas brancas e negras: essa variação linguística é o que chamamos de Black English/ Ebonic English/ Afrikan-American English. Quando Amanita no segundo episódio apresenta sua namorada às suas amigas ela diz “Hey, yall! She’s the one I’ve been talking about”. Esse yall é o mesmo que you all, e é uma abreviação especificamente feita por pessoas negras (dos Estados Unidos). Talvez você não soubesse até agora (tudo bem, Riley também não sabia), mas o inglês junto com o Suaíli, é uma das línguas oficiais do Quênia, e lá eles não usam essa expressão, mas o personagem Capheus traz no encontro com Riley: “Yes, I speak very good English”* [temporada 1 Ep.05]- Ouça como o “R” falado por ele é diferente do falado por Amanita (negra norte americana), e da própria Riley (branca inglesa),  e isso sem falar no sotaque da personagem Sun, de Seul, onde a língua oficial não é o inglês, e que também conta com suas particularidades de inglês como segunda língua… É preciso dissociar de uma vez por todas sotaque de fluência: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E você, qual o seu sotaque?

 

 

*Sim, eu falo inglês muito bem

 

**Luane Souto é graduanda em letras com inglês, pela Universidade Federal da Bahia, é ex-comissária de bordo e atriz.

 

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