Br em série: Quarentena sem streaming, e agora? – PARTE 02

Dando continuidade ao nosso debate sobre a programação que a Rede Globo vem oferecendo durante este tempo de isolamento social, começamos por uma telenovela um tanto complicada, em minha opinião, principalmente pelo seu discurso de manutenção do protagonismo branco, em detrimento de colocar personagens e enredos que tragam a perspectiva de outras etnias, que tragam outras narrativas que não sejam as mesmas já tanto vistas! Mas, vamos lá!

 

Ah! E para quem não viu a primeira parte da seleção, pode conferir aqui o texto!

 

LISTA

 

Resumo da novela Novo Mundo de terça-feira 09/06/2020 - Novelas ...

 

Novo mundo, velha história

No horário das 18h temos uma escolha coerente, já que a próxima novela do horário será uma continuação dessa, porém, apesar de ter feito sucesso na época, com o argumento de que tratava a história do Brasil de uma maneira diferente (como a propaganda da novela ainda fala: com “mulheres fortes”), com essa reprise no momento que estamos vivendo, fica claro, o quanto reforça narrativas neoliberalistas e estereótipos, a principal delas é o white savior que já citei antes, colocar heróis e heroínas brancas, que querem salvar o indígenas e o povo negro escravizado. Porque dá tanta importância a Dom Pedro e Leopoldina e não as figuras da revolta de 2 de julho? Porque a personagem negra mais importante tem que se casar com um alemão (velho por sinal), e juntos constroem uma espécie de quilombo para salvar os escravos? Narrativa típica e real, mas não é essa romantização que a novela coloca. Tenho medo que coloquem a princesa Isabel como a heroína na próxima novela, justificando o fato com fato de ela ser uma mulher forte, “moderna”. Além disso, que sim, pra mim são pontos importantes se estamos falando de história do Brasil, e reforçando estereótipos, a novela tem um ritmo lento, é cansativa. O único enredo que me saltou os olhos de maneira positiva, são os personagens Germana e Licurgo, uma sátira aos personagens dos do filme musical Os Miseráveis, Madame e  Monsieur Thénardier, que dão um pouco de graça a uma história que se leva a sério demais, mas que no fundo não traz relevância.

Não falarei muito dessa, pois na verdade é a que menos tenho acompanhado, mas pelo que vi agora, e os relapsos que vi na primeira versão, esses pontos já se sobressaem apesar, da ideia ser boa, e do sempre figurino e cenários primorosos, demonstra que não há nada de muito novo no que está sendo contado.

 

Totalmente Demais e Fina Estampa: as escolhas erradas

Resumo da novela Totalmente Demais de terça-feira 09/06/2020 ...

Para mim, aqui estão as piores escolhas para re-exibição. A novela das 19/20h, tem até uma premissa interessante que condiz com o tipo de narrativa do horário, porém, ver uma história em que Marina Ruy Barbosa é escolhida a beleza natural do Brasil, é demais para mim. Além do mais o par romântico com Arthur (Fábio Assunção), traz o estereótipo da “Lolita”, além de dar espaço para personagens que estereotipados e caricatos. A ideia da “cinderela” (simplesmente a protagonista não funciona como gata-borralheira) pode até ter colado para alguns, mas pra mim é um enredo fraco em que nenhum personagem cativa de verdade. Sem contar que para colocar um triângulo amoroso, no mínimo os personagens tem que ter química, e não é o vermos aqui.

 

Fina Estampa segue no mesmo caminho. Apesar de trazer alguns personagens marcantes na época, a reprise reforça seu enredo estereotipado e que hoje nem mais sentido faz. O único ponto que salva, a meu ver a novela, são as atuações. Porém, apesar de Lília Cabral (Griselda/Pereirão) suar literalmente para construir essa versão de cinderela, a narrativa aqui também aqui não funciona. Não cativa totalmente, parece ter algo que não está certo. O engraçado é que o horário tinha boas opções para substituir a novela Amor de Mãe, que vinha fazendo sucesso. A Favorita, que está no Globoplay era uma das opções, com enredo mais sólido e menos clichê.

 

É isso, poderia falar dos programas talk show, mas aí o texto ficaria grande demais. Como última indicação temos ainda a série Aruanas que está passando a noite (o qual eu já escrevi um texto pro site), vale a pena conferir (autopropaganda rs).

 

*Vilma Martins é jornalista, cineasta, produtora, pesquisadora e mestranda em Comunicação, pela Universidade Federal da Bahia.

 

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