Br em série: Quarentena sem streaming, e agora? – PARTE 01

Após um hiato de alguns meses, a coluna está de volta!!! Com essa situação que estamos vivendo, resolvi fazer um texto diferente do habitual. Temos muitas indicações de boas séries e programas para assistir nesse período de isolamento. O fato é que usamos cada vez mais as plataformas streaming. A Prime Video chegou no Brasil, a Netflix subiu 12% de sua  visualização, a Globo está investindo intensamente em streaming, a Globoplay, assim como outros canais fechados. Você pode encontrar algumas das indicações no próprio site do Série a Sério.  Porém, é importante lembrar que aqui no Brasil, nem todo mundo tem uma boa conexão de internet (ou mesmo internet) em casa e/ou condições de ficar pagando canais fechados e tantas plataformas.

Além disso, existem situações como a minha, que há 3 meses precisei que voltar a morar com minha mãe e avó, e, as vezes, consigo ver um filme ou série nos streaming, mas estou voltando a ver TV no seu sentido clássico: TV aberta, com programação e horários. A primeira coisa que me chamou atenção foi a escolha pela reexibirão de novelas e programas (já que pararam as gravações dos novos programas), e o formato como estão fazendo isso. Então, ao invés de ficar reclamando só na minha cabeça, resolvi ver alguns programas que minha avó assiste e ver com certa criticidade.

Já que tá difícil até ver série de verdade, resolvi escrever sobre esses programas que tenho acompanhado, para quem está na mesma situações como a minha, com a vó ou mães que não veem filmes e séries, ou que não tem internet em casa. Admito que me surpreendi positivamente com algumas coisas! Há muito tempo que não vejo novelas e globo (tentei ver outros canais, mas não deu. Nem novelas mexicanas antigas passam mais). Também vi que recentemente a minha ídola Tia Má está com um quadro no programa Encontro em que, de maneira bem humorada e crítica, fala de assuntos variados, desde maternidade até sobre os programas que estão no ar na emissora. Fiquei feliz de ver que temos um gosto parecido! Fica aí a primeira dica pra acompanhar: https://www.instagram.com/tiamaoficial/

 

Assim, resolvi dar minha sincera opinião (não é uma análise, resenha crítica como os outro textos que escrevi) sobre o que está passando na Globo de entretenimento nessa quarentena (tirando os programas jornalísticos e noticiosos).

 

Relembre a história de Êta Mundo Bom!, substituta de Avenida ...

Vale a pena ver de novo: Êta, mundo bom! substitui Avenida Brasil

Vela a pena ver de novo já é um programa fixo de reprises das novelas na Globo, e quando a pandemia começou aqui no Brasil, uma das novelas mais adoradas do público estava no ar: A mundialmente conhecida e premiada Avenida Brasil. Não vamos entrar aqui em méritos referentes a imitações, sabemos que o enredo da vingança faz sucesso desde O Conde de Monte Cristo, com as mais variadas narrativas (amamos vinganças, eu particularmente gosto mais de Ana Francisca, em Chocolate com Pimenta, que relembra também Carrie, mas recentemente tivemos O outro lado do Paraíso, que também teve boa receptividade com uma protagonista “vingadora”). De fato a novela, merece o sucesso pela boa construção de personagens, que têm enredos bem pensados, que fazem sentido. Personagens cativantes, mesmo que alguns meio “bobos”, nos quais é possível identificar os “tipos” em nosso dia a dia. A trama e o ritmo são bastante interessantes, tanto que aumentaram o tempo até dá reprise, batendo recordes de audiência no horário (claro, que a quarentena ajudou isso). Porém, como a maioria das novelas, principalmente as do horário das 21/22h, no final se prolongam demais, e tornam situações desnecessárias. Outro problema também é a questão da representatividade (sim, vamos falar disso), a novela escolhe falar de um tema muito complicado da nossa sociedade que são as pessoas que vivem no lixão, e apesar de ser um tempo importante de ser abordado, a maneira como a novela faz, soa leviana, beirando a romantização.

Agora está no ar substituindo Avenida Brasil, uma novela das 18h, quase seu oposto no quesito enredo. Se a anterior chamava atenção pelos personagens quase satirizados, situações de violência, vingança e maldade, Êta, mundo bom! agrada pelo seu enredo leve e engraçado. Traz uma narrativa sobre a vida na fazenda, do amor da família, e da história de São Paulo dos anos 1950, além de passar uma mensagem de positividade, homenageado a simplicidade das pessoas do interior. A novela segue os padrões das novelas dos horários, as “senhorinhas”, como eu, gostam muito desse tipo de enredo engraçado e ingênuo, bom para um entretenimento despretensioso.

No fim, as duas escolhas me parecem acertadas, pelo menos aqui em casa, eu e minha avó assistimos Avenida Brasil pela primeira vez, gostamos, entendo o sucesso que fez, e estamos gostando de Êta, mundo bom! (ela já viu, mas não lembra).

 

Malhação: Viva a Diferença ganha oportuna reprise

 

Malhação Viva a diferença

Pra começar a falar de Malhação, é preciso que me explique em um ponto: minha última referência da produção foi a da Vagabanda (2004), quando eu tinha 12 anos. Ou seja, uma pré adolescente bem insegura e viciada em histórias adolescente clichês. Não por nada, ainda vejo séries adolescentes, e fico feliz vendo como as narrativas têm evoluído tanto em forma e conteúdo (vale citar a maravilhosa Sex Education, que também temos texto aqui no site). Não assisto mais Malhação, principalmente pelo horário, e também por uma rejeição a tradicional maneira como foi conduzida a novela. Levando isso em conta, queria começar fazendo os devidos elogios a essa temporada, que traz, não um casal romântico como protagonistas (como fui pesquisar tem sido quase todos os anos), mas sim, cinco meninas, personagens bem construídas, com narrativas próprias, e arcos (desenvolvimento e história) bem definidos. Não preciso justificar que ter mulheres protagonistas, ainda mais diferentes em personalidade, cor e situação social, é importante, principalmente se estamos lidando com crianças e adolescentes.

A série com essa configuração de personagens principais traz temas importantes a serem debatidos, muitos de maneira diferente do usual (como gravidez na adolescência, padrão de beleza, racismo e relacionamentos não padrões, inclusive – soube (por spoiler) relacionamento lésbico e bissexual). Outro ponto positivo, que tem a ver essas construções de personagem e roteiro, é a direção de Cao Hamburger, conhecido por filmes como O Ano que meus Pais saíram de Férias, e nosso querido, Castelo Rá-Tim-Bum.  A temporada sai daquele enredo engessado e melodramático demais das telenovelas, além de não ficar “enrolando” ou trazendo conflitos apenas para “encher linguiça”. Os personagens secundários são muito bem pensados também, reforçam os temas trabalhados (é bom ver falando do funk como um tipo de cultura e não apenas como estereótipo da favela) e com particularidades, enredos desenvolvidos, não apenas para apoiar as protagonistas. Porém, se a temporada ganha potência com essas mudanças, perde ao continuar tratando os conflitos de maneira pouco profunda. Parece que, por se tratar de uma narrativa adolescentes, que a narrativa pode se guiar pelo superficial e ingênuo.  Ainda mais, com essa geração que tem pautado e debatido tantas coisas, está mais do que na hora de tratar esse publico alvo com seriedade.

 

Por enquanto, ficamos por aqui! Confira a segunda parte do post em breve! 🙂

 

*Vilma Martins é jornalista, cineasta, produtora, pesquisadora e mestranda em Comunicação, pela Universidade Federal da Bahia.

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