O pitaco de Gabrielli

“Acho que a reforma [da Previdência] é uma ilusão”. A afirmação é do ex-presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, durante entrevista concedida com exclusividade ao Aratu On, nesta quarta-feira (2/10). Gabrielli foi, por muito tempo, o queridinho do ex-presidente Lula para disputar as eleições para governador da Bahia, no lugar de Rui Costa (PT). Na época, o senador da República, e antecessor de Rui, Jaques Wagner (PT), defendeu a candidatura do atual chefe do Executivo estadual.

Confira trecho da entrevista:

Quando se volta para o momento atual, Gabrielli mostra que não houve grandes alterações nos 10 meses de governo do presidente Jair Messias Bolsonaro, apesar do quadro ter ficado mais “severo”. “Isso vem se intensificando a partir de 2013, aproximadamente. Agora ficou mais severo porque se radicalizou essa política que, ao meu ver, é suicida, de ‘parar’’ o país. E com a Emenda Constitucional 95/2016 [conhecida como “Teto dos Gastos”, que limita os gastos públicos por 20 anos], você paralisa a expansão do gasto público, o que é extremamente recessivo. Sempre foi, em todo lugar do mundo. Em vez de gerar emprego e renda, acaba com emprego e renda”.

No dia da entrevista, a Reforma da Previdência ainda não havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados – o que aconteceu nesta terça-feira (1/10), por 17 votos a 9, e agora o texto segue para o plenário -, mas o ex-presidente da Petrobras comentou um dos assuntos mais polêmicos dos últimos anos, no que se refere à política nacional.

“Acho que [a reforma] é uma ilusão, porque o grande problema do financiamento da previdência é a criação da capacidade contributiva dos participantes do sistema de previdência, o que só ocorre se você aumenta o emprego formal e diminui os vazamentos do financiamento do sistema. Diminuir o gasto para sobrar dinheiro pra pagar a dívida não é suficiente, ao meu ver, para estimular o investimento produtivo”, considerou. “Não por uma questão de que não acredito, mas, porque, historicamente, não há exemplos”.

Para ele, é preciso atrair investimentos produtivos que só virão quando houver uma “sinalização mais clara” de que o Brasil voltará a crescer, e levanta o seguinte questionamento: “se o empresário produtivo não tem expectativa de crescimento e, ao invés disso, tem alternativas de aplicar o dinheiro dele e ter retorno sem preocupação de manutenção da máquina, de enfrentar greve de trabalhador, de viabilizar venda para o seu produto e simplesmente vai ter uma renda garantida em uma aplicação financeira… Por que vai investir?”. 

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